quarta-feira, 7 de abril de 2010

As Últimas Horas de Jack Bauer

Estou assistindo a oitava temporada de 24 horas apenas porque é a última.

Juro que não tenho mais saco e não sei como as pessoas ainda conseguem agüentar a imortalidade de Jack Bauer e a fórmula requentada que os produtores utilizam e re-utilizam desde a terceira temporada. O que poderia ter um destino maravilhoso acabará de maneira decepcionante, tediosa e esgotada.


Sim, poderia ter um destino fabuloso. A idéia era original, empolgante e muito arriscada. Como o próprio nome diz, a temporada se resume a um dia inteiro na vida do agente federal especialista na luta contra o terrorismo Jack Bauer e cada capítulo significava uma hora do dia, sendo exibido no tempo real que os eventos aconteciam (aquele reloginho na tela é o máximo).

Outro risco, o protagonista é Kiefer Sutherland – um ator bem fraco, com uma carreira cinematográfica desastrosa onde pouca coisa se salva (e o que se salva não é graças a sua atuação). Mas a personalidade do cara o coloca no rol dos atores ‘cools’ de sua geração como Robert Downey Jr e Charlie Sheen, por exemplo, por causa de sua relação ‘amigável’ com álcool e drogas, e isso contou como ponto a favor.

O projeto era tão arriscado que a Fox autorizou somente a gravação de um mid season para ver se o público comprava a idéia. Com 12 capítulos (ou 12 horas, se você preferir) em mãos, os produtores criaram um ‘final’ após a metade do dia de Bauer, mas com uma sutil abertura para continuar, caso o público desse o aval. Claro que foi isso que aconteceu e rendeu oito temporadas para a emissora.

Apesar da inovação, o enredo já dava sinais de que não poderia ir muito longe. Afinal de contas, ninguém tem 24 horas tão intensas assim, com uma porrada de subtramas, traições e revelações repletas de fortes emoções como Jack Bauer, os terroristas, o governo norte-americano e tudo mais.

E a partir da terceira temporada a gente já percebe o desgaste e a mesmice do roteiro. É sempre aquilo. Um vilão ameaça os EUA. Jack Bauer é acionado. Os chefes burocratas odeiam o jeitão cavaleiro solitário do herói e o boicotam. Alguém da unidade o ajuda pelas costas dos burocratas. Eles acabam se rendendo ao estilo dele porque ele é fodão e mata muita gente. O vilão morre, mas aparece um outro vilão, que é muito mais fodão e era o cérebro por trás de tudo. Alguém da unidade é um traidor e ajuda os terroristas. Alguém da Casa Branca também é traíra e ajuda esse vilão fodão. Jack Bauer bota pra fuder e mata todo mundo. Tudo isso em apenas 24 horas. Muita coisa pra pouco tempo, não?

E a temporada final não foge disso. A traidora da unidade já se revelou, o terrorista inicial já foi pro saco, os traíras da Casa Branca já tentaram ferrar a vida da presidenta, os burocratas estão com Bauer e ele está puto dos cornos e quer botar pra fuder. Tudo se encaminha para um final previsível e feliz.

Mas torço para que os produtores ainda tenham um pouco de bom senso e brindem os fãs com a morte do personagem principal. Não seria tão surpreendente assim, mas serviria para devolver um pouco da dignidade que 24 Horas já teve. Mas duvido que isso aconteça. Pobre Bauer... Triste fim...

3 comentários:

Unknown disse...

O House está indo pelo mesmo caminho...

ric@rdo disse...

imagina, smallvile, e coisas do tipo...aff que merda q a falta de imaginaçao leva tudo pra umamorte lenta e desastrosa...

Rogério Felipe Marciano disse...

Isso já é tradicional da maioria das séries americanas, começam dinâmicas, animadas e depois acabam caindo no previsível ou entrando nos conflitos emocionais dos personagens como aconteceu em barrados no baile, melrose (pra quem tiver idade pra lembrar), Smallville, O.C., etc...