
Sei que estou devendo o ‘finale’ do post do Metallica, mas para variar o meu tempo foi pro espaço e o blog foi deixado um pouco de lado novamente. Como o evento de ontem está mais fresco, vamos a ele. Ainda mais porque este foi um dos raros anos que eu consegui ver todos os filmes que concorriam aos principais prêmios antes da cerimônia de entrega do Oscar.
A melhor surpresa foi a academia ignorar Avatar nas categorias principais. Como postei há algum tempo, o filme é um lixo que nos impressiona apenas pelos efeitos visuais surpreendentes. Levou a estatueta nesses quesitos (Melhor Efeito Visual, Fotografia e Direção de Arte) e olhe lá. Está bom demais.
Guerra ao Terror é um bom filme. Nada demais, mas bem melhor que Avatar. Na mesma temática, eu prefiro o Soldado Anônimo (do Sam Mendes), que foi ignorado pela academia e um dos grandes injustiçado do Oscar. Sendo assim, eu acho que foi exagero dar ao filme seis premiações: Melhor Filme, Diretor(a) (Kathryn Bigelow – primeira mulher a vencer na categoria), Montagem, Edição de Som, Mixagem de Som e Roteiro Original.
O prêmio de Melhor Ator foi uma coroação tripla: Premiou o melhor ator, o conjunto de sua obra e corrigiu uma injustiça: Jeff Bridges realmente está fantástico em Coração Louco. Uma atuação magnífica que finalmente premia um dos grandes atores de Hollywood, que tem uma carreira bastante sólida (praticamente sem grandes micos e com papéis marcantes) e que ficava chupando o dedo todo ano. Sem contar que desde 1998 a Academia lhe devia a premiação pelo seu fantástico trabalho em O Grande Lebowski.
Melhor Atriz foi outra barbada, já que todos esperavam que Sandra Bullock levasse o prêmio por sua atuação em Um Sonho Possível. O filme é bom, nada demais, mas agradável. Feito para ela brilhar e confesso que não esperava uma atuação decente dela, pois a considero uma péssima atriz. Mas aqui ela manda bem e se redime de muita coisa pavorosa que fez durante esses anos todos.
Os atores coadjuvantes também não surpreenderam. Mo’Nique arrasa em Preciosa e Christoph Waltz é alma de Bastardos inglórios (o maior injustiçado da noite, levando apenas esta premiação). Preciosa faturou também o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado, desbancando o favorito Amor Sem Escalas, que não levou nenhuma estatueta para casa. A animação também foi uma barbada. Alguém duvidava que UP levaria o prêmio? E ainda ganharam pela Trilha Sonora também. A Pixar não erra...
A minha grande surpresa foi ver O Segredo dos Seus Olhos roubar o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro do excepcional A Fita Branca. Eu adoro os dois filmes, mas estava realmente torcendo pelo argentino porque acho os filmes do Juan José Campanella do caralho. E prova que mesmo em crise e sem dinheiro, os cineastas argentinos estão anos luz a frente dos brasileiros que só pensam em fazer filmes cabeças ou sobre periferia, cadeia e afins.
Mas a melhor parte da cerimônia foi, sem sombra de dúvidas, a belíssima homenagem ao John Hughes, que morreu no ano passado. No mais, a festa foi meio arrastada, com umas piadas bem sem graça, apresentação fraquinha de Steve Martin e Alec Baldwin e a participação medonha do Ben Stiller, que só não é mais sem graça que o Adam Sandler. Mas o pior mesmo foi esqueceram de citar a Farrah Fawcett no tributo aos defuntos de 2009 pra cá.